quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Entrevista! - GM Carlos Garcia Palermo

Entrevista com o GM Carlos Garcia Palermo


Poucos jogadores do planeta podem dizer que venceram um campeão do mundo, no auge de sua forma e em pleno reinado. Mais ainda, que venceu dois. E foi exatamente o que aconteceu na carreira enxadrística de Carlos Garcia Palermo, argentino, atual técnico das equipes italianas de xadrez, que disputarão as Olimpíadas em Khamty-Mansisk, na Rússia, em outubro próximo.


O contato com o GM foi possível graças à informação privilegiada que nos deu um Diretor da CBX, o AI Mauro Amaral, sobre a passagem (ou seja, ele estava “en passant”) por Guarulhos, rumo a Milão. No final, fiquei sabendo que eles são muito amigos, inclusive, o GM Carlos Garcia já emprestou seu apartamento em Buenos Aires, para hospedar o Mauro.



Hoje, no final da manhã, fui ao endereço: R. Diogo Farias, 137, local do hotel Mônaco, onde estava hospedado o Grande Mestre. O endereço, no centro de Guarulhos, sempre me foi familiar, pois fica próximo da “Elétrica Takei”- desde sempre meu pai compra componentes elétricos lá.



Chamei na recepção por Palermo e fui prontamente atendido no telefone por uma voz grave e rápida, que atenciosamente me disse que já desceria até o saguão.
Assim que me avistou, me cumprimentou, agradeceu (na verdade, penso que eu é quem deve agradecimentos) e começamos imediatamente a entrevista:

Wilton Yokomizo - Atualmente, o sr. é. o técnico das seleções da Itália. Qual é a maior dificuldade e a maior satisfação de treinar jogadores?

Carlos Garcia Palermo - Agora, e antes como enxadrista, não depender somente dos seus próprios resultados e sim do de todos (as Olimpíadas de xadrez são disputadas por equipes). A satisfação é ter uma boa relação pessoal e enxadrística, fazer uma boa preparação e que se consiga um bom resultado. Todas as experiências são interessantes, mesmo quando se perde , também, é interessante, saber como levantar o ânimo dos jogadores.

WY - Carlos, as Olimpíadas de Xadrez estão próximas. Na sua opinião, quais as chances da equipe italiana?

CGP - A equipe italiana tenta melhorar as posições obtidas em torneios anteriores. Nas Olimpíadas de Dresden (2008), foi a melhor performance da história com a equipe feminina e, bom, trataremos de melhorar todos, esse é o objetivo.

WY - Ainda sobre as Olimpíadas, como o Brasil é visto pelos outros países, por exemplo, pela Itália? É considerado um time de respeito?

Foto acima: GM Palermo e... Nakamura??? (rs)

CGP - Sim. Porque nesse momento todos da equipe (masculina) do Brasil são Grandes Mestres e tem 2600, a maioria, e não somente pela Itália mas é também perigoso para qualquer equipe do mundo.

WY - Agora, falando sobre o sr. : há alguma vitória marcante para você na sua carreira?


CGP - Obviamente a mais importante vitória foi contra Anatoly Karpov quando ainda era campeão do mundo (1982) e foi muito emocionante. Foi um momento histórico, difícil de assimilar, porque levei vários meses sem me dar conta que classe de jogador era. Esse momento foi vertiginoso, eu diria!

WY - E a vitória sobre o Fischer, em 1971? Foi marcante?

CGP - Sim. Eu era um adolescente e ele (Fischer) estava em um momento de glória e dois anos depois veio a ser campeão do mundo, com muita publicidade, mas era uma partida simultânea e que teve erro na abertura. Talvez por causa disso tenha sido a partida que Fischer tenha perdido em menos jogadas, em 15. Historicamente talvez tenha importância... mas para mim é a partida com Karpov e outra muito importante contra Short nas Olimpíadas de Manila, 1992. Ganhei de Short com as negras e ele era na época o desafiante de Garry Kasparov. Quando fui me preparar no computador e puxei partidas dele de brancas, todas davam: “Um, zero”, “Um, zero”. Que coisa! Minha preparação foi muito difícil. Sem contar a partida. Isso também foi para mim muito importante e muito pouco divulgado, se comentou muito pouco. Em compensação, a partida contra Karpov correu o mundo. Korchnoi me mandou 400 dólares de presente por vencer essa partida (risos!)!

WY - Para finalizar, pediria para falar sobre o que há de melhor no xadrez.

CGP - Sobre a partida, eu gosto mais dos finais do que das aberturas. Mas eu gosto muito também de ser um enxadrista, conheço muito gente interessante de outros países e se puder viver novamente, gostaria de ser enxadrista!

Um comentário:

  1. Parabéns ao amigo Wilton pela excelente entrevista !

    Fico feliz de ter dado minha contribuição :)

    AI Mauro Amaral
    Diretor da CBX

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